segunda-feira, 1 de abril de 2013

Uma despedida e um até logo

Esse é um post de adeus. Tenho inúmeros motivos para isso. Vou falar apenas de alguns.

Claramente, não tenho conseguido postar aqui como deveria. Também, quando posto, não estou fazendo o que eu deveria fazer. Não tenho dificuldades em escrever resenhas ou simplesmente sair falando sobre um monte de coisas. Meu problema é escrever contos, histórias contadas, e isso eu não estou conseguindo fazer aqui e nem vou conseguir, disso eu tenho certeza.

Como tenho escrito muito sobre livros, acabei abrindo um novo blog, onde vou tratar apenas disso, focando no meu objetivo de 100 livros esse ano. Vocês podem conferi-lo aqui e convido a todos os interessados a me acompanhar por lá. Estou postando todos os dias: como leio muito, sempre há um novo livro para falar sobre. 

Estou triste por deixar esse de lado, é como se eu deixasse um grande sonho para trás e isso é sempre algo frustrante. Mesmo assim, não conseguiria manter isso seguindo se não consigo me dedicar a ele, e muito menos fazer o que eu queria fazer. Mas, ao mesmo tempo, estou animada com o meu novo blog e sei que ele eu conseguirei manter. 

Isso é uma pequena despedida, mas também um até breve se vocês me acompanharem nessa nova jornada. 

Obrigada a todos que acompanharam esses poucos posts.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Ser negro, ser mulher, ser gay

Quando eu era pequena, não entendia porquê chamar um negro de negro era racismo. Tudo o que passava pela minha cabeça era "mas ele é negro!" e, por muito tempo, pensei que também era racismo quando as pessoas riam de mim por eu ser branca demais.

Lembro que todo fim de semana íamos à praia e eu ficava feliz por estar menos branca quando chegava a segunda-feira. Hoje, quando eu vou para praia, passo litros de protetor solar, não tiro a saída-de-banho, fico na sombra e não fico mais de uma hora. Não vejo vantagens em estragar a minha pele, fazendo-a envelhecer mais rápido e ficar manchada devido ao abuso do Sol. Mas, admito, invejo as morenas e as negras, mesmo adorando ser branquinha, branquinha.

Agora eu entendo toda a história que há por trás da palavra "negro". E acho que todos os negros devem lutar contra esse preconceito que ainda é tão enraizado na nossa cultura. Porém, não acho que deveriam se sentir tão ofendidos quando alguém os chama de negro, preto, mesmo quando há intenção de humilhar (claro que é diferente quando xingam de "sujinho", "carvão", "água suja". E, mais óbvio ainda, ninguém deveria jogar palavras contra os outros com a intenção de ofender e machucar).

Sentir-se ofendido por ser chamado de algo que a pessoa é, mostra muito mais sobre o oprimido do que sobre o opressor. Você é negro, você é preto, e só há motivos de orgulho quanto a isso, sinta orgulho de si, orgulho da sua história, do seu povo. Ria da pessoa que está simplesmente lhe apontando o óbvio. Não se sinta humilhado pela verdade quando não há nada de vergonhoso nela. Sinta pena das pessoas que acham que cor é algo além de apenas uma cor.

Nas brigas com a minha irmã, e brigamos muito por termos conceitos morais bem diferentes, o maior xingamento que ela tem para atirar contra mim é "lésbica" (algumas vezes ela inova e me chama de "sapatão"). Eu sempre solto uma gargalhada e a olho incrédula. Sim, eu sou lésbica. Sim, eu gosto de outras mulheres, gosto de beijá-las e de tocá-las. Como eu poderia me ofender por causa de algo que faz parte da minha identidade?

Isso não significa que não vou defender os direitos dos meus iguais, do mesmo modo que defendo os direitos das mulheres, dos negros, daqueles que são excluídos apenas por não serem como a sociedade exige que sejam.

Não combatam o ódio com mais ódio. Como Oscar Wilde diz: perdoe os seus inimigos, nada os aborre tanto! Não deixem de lutar por aquilo que é certo, sintam orgulho de serem quem são, mas façam isso sem agir como as pessoas que queremos que aprendam a respeitar as diferenças.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Habemus Papam

É importante, para mim, falar sobre esse assunto. Sei que ultimamente a religião anda muito em foco e não estou fazendo esse post por nenhum motivo de descontentamento, mas apenas porque frequentei a igreja católica por tanto tempo que é como uma parte de mim que não pode mais ser deixada de lado, é parte da minha cultura, um pedaço dos muitos lugares onde eu cresci e aprendi muitas coisas, é como um parquinho que se é frequentado na infância, mas que a sua ida (e convivência) a esse local não faz mais sentido, ainda que ele permaneça na sua memória e seja parte de você.

Não escrevo para falar de escândalos, para abordar polêmicas da Igreja e escrevo mais para falar de Bento XVI do que de Francisco, mas acho que, antes de tudo, as pessoas precisam esperar menos da Igreja. Todos sabemos que não é inviável exigir certas coisas aos católicos, como a aceitação da homossexualidade, a inclusão das mulheres no sacerdócio, entre tantas outras coisas e, ainda assim, muitos se esquecem de como esses dogmas da Igreja não podem ser ignorados da noite para o dia. Talvez essas mudanças ocorram, em um futuro distante, quando a própria sociedade estiver preparada para conviver com elas, mas até o momento não está, então também não se pode exigir tais revoluções no catolicismo.

O que queria dizer, de fato, é que nunca vi um ato de humildade tão genuíno quanto o de Joseph Ratzinger, justamente o Papa alemão que todos disseram ser tão duro, em renunciar o papado. Bento XVI sempre prezou pela verdade e foi com verdade que se dirigiu aos demais para dizer que não possuía mais forças para continuar, não possuía mais nem o vigor do corpo ou do espírito.

Espero, com toda a sinceridade do mundo, que Joseph Ratzinger se revigore e continue auxiliando como puder a igreja que um dia também foi minha e, mesmo se não puder, seja por qual motivo for, que continua pregando a verdade acima de tudo, porque é disso que a Igreja precisa, assim como outras religiões, assim como todo mundo, em qualquer âmbito social, cultural, político ou econômico.

Sobre Francisco, apenas queria dizer que há, de fato, uma grande expectativa depois da forma escandalosa com que tomaram a renúncia de Bento XVI, mas estou feliz pela escolha, por termos um Papa latino - e que problema tem ele ser argentino? Não entendo como alguns brasileiros clamam tanto ódio pelos hermanos quando estes nos adoram -, estava mais do que na hora de ter um líder que vem do continente onde há mais católicos. Espero que ele saiba lidar com os problemas da igreja e fazer uso da sincera humildade do Papa anterior.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Reis magos e outro livro

Prometi contar quando terminasse de ler Noite Infeliz e devia ter feito esse post já há algum tempo (já li outros dois livros e comecei mais dois...), então vamos lá.

Como eu disse anteriormente, o livro conta a história do nascimento de Cristo de uma forma diferente. Os três reis magos são, na verdade, assassinos e ladrões e se deparam com Maria, José e o bebê Jesus enquanto fugiam de Herodes. Quando isso acontece, Baltasar, o líder dos reis magos e o ladrão mais procurado da Judéia, conhecido como Fantasma da Antióquia, decide que é obrigação deles proteger a criança, já que estavam matando todos os bebês até 1 ano. Descobrimos o que fez Baltasar sentir essa necessidade de manter Jesus vivo já no final do livro.

A partir daí, eles vivem uma aventura atrás da outra, sendo intercalada com a história do passado de Baltasar. Passamos a conhecer melhor os seus motivos e sua forma de pensar e agir, e acho que dificilmente alguém não se identificaria com algumas das batalhas internas que ele trava. 

Não vou mentir dizendo que amei o final do livro, porque não amei. Se fosse eu escrevendo, com certeza teria terminado um pouquinho antes, porque não gosto tanto quando o autor já dá o final todo desenvolvido para o leitor. Gosto daqueles finais que abrem um leque de possibilidades e você pode preenchê-lo da forma que preferir. Mesmo assim, entrou na minha lista de livros que com certeza irei ler alguma (ou algumas) outra vez.

O outro livro que li depois desse foi O Lado Bom da Vida. Tinha visto o filme e fiquei apaixonadíssima. O modo como eles conseguirão tratar o problema do transtorno bipolar e do preconceito, principalmente vindo da família, que muitas vezes está tão preocupada em fazer o filho doente se passar por normal que não percebem os próprios problemas. O livro não me decepcionou em nada, mesmo sendo bem diferente do filme. A forma como é narrado é tão leve e envolvente que você pode ler por horas sem nem perceber. Pat é cativante e é incrível ver como ele interpreta todo o mundo em volta dele. Recomendo totalmente.


quarta-feira, 13 de março de 2013

Jesuscracia: a próxima ditadura

Não sou o tipo de pessoa que é louca por política. Na verdade, prefiro nem me envolver, porque é muito difícil você dá a sua opinião e a outra pessoa não querer provar o quão você está errada (isso acontece também com religião e futebol). Mas então Marcos Feliciano foi eleito presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM). Qual o grande problema?

Um homem que prega ódio entre as raças, discrimina homossexuais, quer impor a religião dele acima de todas as outras, porque no Brasil temos as mais diversas religiões e culturas, pode ser eleito presidente da CDHM. Como ele representa a minoria se ele despreza essa minoria? Como alguém que não respeita todos igualmente pode estar a frente de uma comissão de direitos humanos? Não faz o mínimo sentido.

Para trazer mais indignação, me deparo com o seguinte flyer


Brasil de Deus? Jesuscracia? Onde essas pessoas estão tentando chegar? Em uma ditadura religiosa? O Brasil não é apenas um país de Deus e um país de cristãos. É um país de wiccas, umbanda, mulçumanos, budistas, ateísmo e outras centenas de culturas. Querer acabar com tudo isso é não ter a mínima noção de respeito.

Eu sou homossexual (com muito orgulho), atéia, caucasiana e me considero muito mais humana do que Marcos Feliciano ou qualquer um envolvido nisso. Não desrespeito a religião de ninguém porque todo mundo tem direito de ter suas próprias crenças, é inerente ao ser humano. Não acho que eu seja homossexual por alguma doença (porque já estão querendo revogar a lei que proibiu o tratamento para a "cura" dos homossexuais). E já tive grandes amigos que são negros.

Espero, sinceramente, que o Brasil não aceite esse tipo de injustiça para que possamos continuar sendo um país de diversidade.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Gramática ou leitura?

Hoje li um texto falando sobre o "estudo intencional da gramática", sabem, aquele estudo obrigatório em toda escola sobre a nossa língua falada e escrita, aprender sobre o que é um provérbio, adjetivo, hiato, ditongo... O autor, Gilberto Scarton, é contra esse ensino e eu devo dizer que concordo com ele.

Como uma escritora pelo menos razoável, preciso confessar que nunca soube identificar nada disso. Se vocês me pedirem, hoje, para fazer uma análise sintática ou identificar advérbios em textos, não terei idéia do que fazer, não tenho esse conhecimento. Na escola, não era ótima em gramática, estava mais perto do péssimo (juntamente com matemática, física, química...), o que sempre me salvou em português foi redação e literatura, e não tenho vergonha em admitir isso.

Quando se escreve, não precisa ter conhecimento de cada coisa, precisa ter coesão e saber como usar a concordância, nominal ou verbal, e isso a pessoa não aprende com um estudo profundo da gramática. Isso você aprende lendo, quanto mais, melhor.

Desde pequena, uma das coisas que eu mais gostava de fazer era ler. Muitas das pessoas que conviviam comigo achavam estranho, ainda acham. Por que é tão estranho alguém gostar de tirar um tempo para uma leitura? Como dizem, ler é ir a milhares de lugares sem precisar sair de onde está. É se apaixonar, é ficar êxtase, é tudo ao mesmo tempo. E é só lendo que se aprende a escrever.

Só quando perdermos esse bloqueio com a leitura, não apenas no Brasil, é que saberemos escrever verdadeiramente, mesmo sem nunca ter realmente aprendido coisa alguma nas aulas de gramática que tão exaustivamente temos. 

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Sobre escrever

Para se ter um blog de sucesso, dizem, é preciso postar todos os dias, não importa se sobre notícias que saem na TV ou sobre qualquer coisa que venha a sua cabeça, mesmo que seja nada. Partindo desse princípio, esse blog está fadado ao fracasso, já que não é sempre que eu tenho aquela vontade de escrever. Esse é um dos meus maiores problemas.

Escrever é uma dessas coisas que você não pode parar nunca, tem sempre que estar escrevendo, praticando, mesmo naqueles dias que tudo que você quer é ficar assistindo algum besteirol americano. A pessoa precisa ser persistente, principalmente quando se depara com tantos textos que, comparados com os seus, são absolutamente brilhantes. 

É um trabalho completamente solitário, onde você pode passar horas em frente ao computador ou caderno tentando se obrigadar a escrever algo, qualquer coisa!, e mesmo assim não conseguir externar nenhuma linha sequer. E você tem que brigar consigo, sempre. Brigar com aquela vozinha que diz que você nunca conseguirá ir a lugar nenhum com essa história de escrever, que escrever não dá dinheiro, que você vai ficar sozinha e amargurada implorando para alguém ler um pequeno conto ou crônica. 

Semana passada, essa voz ganhou (vamos chamá-la de "editor"). Estava lendo os textos de uma grande amiga, e depois fui conhecer o trabalho de algumas outras pessoas. Senti-me como a pessoa mais incapaz do universo, e o editor ficou feliz em confirmar e ajudar a me colocar ainda mais para baixo. Foi o editor que me fez deletar cada uma das coisas que eu já publiquei na internet. Curiosamente, os textos desse blog sobreviveram, e eu acho que isso significa algo, não?

Preciso tirar pelo menos uma hora do meu dia de estudo para vir aqui e postar algo, ao contrário de ficar vendo imagens e repetindo que não tenho nada para fazer. Isso é um trato.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Resoluções e livros

Com o fim de 2012 todo mundo começa a falar de resoluções para o ano seguinte. Nunca tive muita paciência para isso porque sei que em dois dias nem vou lembrar mais do que eu estava falando. Esse ano, porém, resolvi fazer diferente. Criei uma lista com 10 itens, coisas como "esse ano vou ler 100 livros, 150 filmes, vou escrever pelo menos 10 textos completos", coisas que eu gosto de fazer mas que, por diferentes motivos, acabo deixando de lado. 

Nesse post, quero focar no número um da lista, que é justamente o "Ler 100 livros". Segundo o Goodreads, para atingir esse objetivo preciso ler dois livros por semana. Li sete nesse mês que começou e essa semana eu fiz uma nova aquisição literária: Noite Infeliz, de Seth Grahame-Smith, o mesmo autor de Abraham Lincoln - O Caçador de Vampiros e de Orgulho e Preconceito e Zumbis.

A primeira vez que peguei um livro dele para ler, estava com dois pés atrás. Como alguém ousa pegar um clássico literário tão perfeito quanto Orgulho e Preconceito e acrescentar zumbis? Nenhum preconceito com zumbis, eu os adoro, como todo bom nerd. Mas sou muito caxias quando se trata dos meus clássicos preferidos. Porém, comprei o bendito livro de Grahame-Smith e, não tenho vergonha nenhuma em admitir, me apaixonei completamente. Nunca pensei que a obra de Jane Austen poderia ser melhorada, mas ele conseguiu isso. Desde então, sempre que acho um livro dele, compro. E foi isso que fiz com Noite Infeliz.

Ainda não terminei de ler, semana cheia, então só vou poder explicar muito superficialmente a história. 

O livro nos conta uma nova versão do maior clássico da humanidade: o nascimento de Jesus Cristo. Os três reis magos são, na verdade, ladrões e assassinos, liderados por Baltasar, conhecido por Fantasma da Antioquia. E Grahame-Smith conseguiu escrever essa história de forma tão suave e envolvente que não há como ofender nem a pessoa mais religiosa.

Minha ansiedade para terminar de ler esse livro só faz crescer e, assim que acaba-lo, virei fazer uma resenha  decente para vocês. Aguardem.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Guess who's back

Há pouco tempo, creio que semana passada, eu havia postado em nossa página no Facebook pedindo desculpas por termos simplesmente sumido depois da promessa de tentarmos postar todo dia, apenas pelo prazer em escrever e para adquirirmos mais prática. Como expliquei, eu estava sem um computador para poder fazer os posts e, embora seja possível, não era nada prático digitar e postar pelo celular. 

No começo dessa semana, com uma ajuda enorme de uma amiga, consegui finalmente recuperar meu notebook e com uma vontade imensa de postar.

Muitas coisas aconteceram durante esse tempo de ausência, tanta coisa que não sei se vale a pena falar sobre cada uma delas. Para resumir, agora, como milhares (milhões?) de brasileiros, estou estudando para conseguir um emprego público. Posso dizer uma coisa com muita certeza para vocês: esse não era o que eu esperava da minha vida. Mas acho que com a ajuda de um emprego e dinheiro será mais fácil realizar alguns outros bilhares de sonhos, não é mesmo? 

Um dia, e tenho certeza disso também, irei publicar um livro, abrir meu ateliê, um bistrô, conhecer o mundo com a minha namorada, me perder em Paris, ter dezenas de tatuagens, um pequeno café, terei uma imensa biblioteca na minha casa, poderei ajudar todas as pessoas que amo, vou ensinar meus filhos a amarem Harry Potter tanto quanto eu amo, vou abraçar cada uma das pessoas que fazem parte dessa minha vida virtual, conhecerei a rainha da Inglaterra e o seu neto ruivo (também conhecido como o primeiro crush eu já tive), pegarei nos peitinhos da Rooney Mara, viajarei a Lua, farei parte de um musical.

Porque não existe limites para se sonhar, então temos que sonhar grande, nada é impossível, não enquanto você acreditar.