Hoje li um texto falando sobre o "estudo intencional da gramática", sabem, aquele estudo obrigatório em toda escola sobre a nossa língua falada e escrita, aprender sobre o que é um provérbio, adjetivo, hiato, ditongo... O autor, Gilberto Scarton, é contra esse ensino e eu devo dizer que concordo com ele.
Como uma escritora pelo menos razoável, preciso confessar que nunca soube identificar nada disso. Se vocês me pedirem, hoje, para fazer uma análise sintática ou identificar advérbios em textos, não terei idéia do que fazer, não tenho esse conhecimento. Na escola, não era ótima em gramática, estava mais perto do péssimo (juntamente com matemática, física, química...), o que sempre me salvou em português foi redação e literatura, e não tenho vergonha em admitir isso.
Quando se escreve, não precisa ter conhecimento de cada coisa, precisa ter coesão e saber como usar a concordância, nominal ou verbal, e isso a pessoa não aprende com um estudo profundo da gramática. Isso você aprende lendo, quanto mais, melhor.
Desde pequena, uma das coisas que eu mais gostava de fazer era ler. Muitas das pessoas que conviviam comigo achavam estranho, ainda acham. Por que é tão estranho alguém gostar de tirar um tempo para uma leitura? Como dizem, ler é ir a milhares de lugares sem precisar sair de onde está. É se apaixonar, é ficar êxtase, é tudo ao mesmo tempo. E é só lendo que se aprende a escrever.
Só quando perdermos esse bloqueio com a leitura, não apenas no Brasil, é que saberemos escrever verdadeiramente, mesmo sem nunca ter realmente aprendido coisa alguma nas aulas de gramática que tão exaustivamente temos.
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