É importante, para mim, falar sobre esse assunto. Sei que ultimamente a religião anda muito em foco e não estou fazendo esse post por nenhum motivo de descontentamento, mas apenas porque frequentei a igreja católica por tanto tempo que é como uma parte de mim que não pode mais ser deixada de lado, é parte da minha cultura, um pedaço dos muitos lugares onde eu cresci e aprendi muitas coisas, é como um parquinho que se é frequentado na infância, mas que a sua ida (e convivência) a esse local não faz mais sentido, ainda que ele permaneça na sua memória e seja parte de você.
Não escrevo para falar de escândalos, para abordar polêmicas da Igreja e escrevo mais para falar de Bento XVI do que de Francisco, mas acho que, antes de tudo, as pessoas precisam esperar menos da Igreja. Todos sabemos que não é inviável exigir certas coisas aos católicos, como a aceitação da homossexualidade, a inclusão das mulheres no sacerdócio, entre tantas outras coisas e, ainda assim, muitos se esquecem de como esses dogmas da Igreja não podem ser ignorados da noite para o dia. Talvez essas mudanças ocorram, em um futuro distante, quando a própria sociedade estiver preparada para conviver com elas, mas até o momento não está, então também não se pode exigir tais revoluções no catolicismo.
O que queria dizer, de fato, é que nunca vi um ato de humildade tão genuíno quanto o de Joseph Ratzinger, justamente o Papa alemão que todos disseram ser tão duro, em renunciar o papado. Bento XVI sempre prezou pela verdade e foi com verdade que se dirigiu aos demais para dizer que não possuía mais forças para continuar, não possuía mais nem o vigor do corpo ou do espírito.
Espero, com toda a sinceridade do mundo, que Joseph Ratzinger se revigore e continue auxiliando como puder a igreja que um dia também foi minha e, mesmo se não puder, seja por qual motivo for, que continua pregando a verdade acima de tudo, porque é disso que a Igreja precisa, assim como outras religiões, assim como todo mundo, em qualquer âmbito social, cultural, político ou econômico.
Sobre Francisco, apenas queria dizer que há, de fato, uma grande expectativa depois da forma escandalosa com que tomaram a renúncia de Bento XVI, mas estou feliz pela escolha, por termos um Papa latino - e que problema tem ele ser argentino? Não entendo como alguns brasileiros clamam tanto ódio pelos hermanos quando estes nos adoram -, estava mais do que na hora de ter um líder que vem do continente onde há mais católicos. Espero que ele saiba lidar com os problemas da igreja e fazer uso da sincera humildade do Papa anterior.
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