sábado, 7 de julho de 2012

Ving Tsun

Quando pensei em escrever algo que não fosse o que sou acostumada a escrever, pensei que deveria escrever sobre mim, pensei que seria bom escrever sobre mim, mas percebi que a melhor forma de falar sobre mim é falar sobre o que diz respeito ao que sou, então talvez esse não seja um texto sobre um tema muito usual para muitos, mas é o que vivo.

A arte marcial parece ter perdido o sentido com a procura cada vez maior por estilos de luta como o MMA. Já perdi a conta de quantas pessoas vi, nos últimos meses, com as orelhas inchadas, com os braços fortes sendo praticamente esmagados por uma camisa — isso sem contar com a quantidade de camisas, que vejo homens e mulheres usando, onde se poder ler UFC.

(Não escrevo para menosprezar outros tipos de luta, mas apenas para valorizar o que faço, tomando como ponto de partida de um esporte que se torna cada vez mais popular.)

Confesso que não sei quais os motivos que fazem com que as pessoas procurem esses estilos de luta de wrestling — não sei se é por estar na moda, se é por idolatrar algum desses lutadores cada vez mais famosos e ricos, se é para aprender a se defender ou atacar, para ficar mais forte ou se é visando uma possibilidade mais imediata de combate — e confesso que ainda não encontrei os meus próprios motivos para explicar como acabei imersa nesse universo. O que sei é que fui assistir a uma aula ou outra e acabei chegando a um ponto onde não conseguia mais parar de pensar em Ving Tsun.

Não tenho conhecimento para escrever sobre outras artes marciais, também não tenho conhecimento para escrever sobre o próprio Ving Tsun — se pensar que o que compreendo é uma gota entre tantas no oceano (e isso sem restringir as palavras à significação de ideograma) —, mas acredito ter liberdade o bastante para me expressar sobre aquilo que, em menos de dois meses, já fazia parte da minha vida. Muita gente passa por algum tipo de experiência trágica que muda toda a percepção que tem de mundo, mas, felizmente, o Ving Tsun fez isso por mim, mudou não só a minha vida, e sim a minha maneira de vê-la, o meu modo de me portar diante das coisas e das pessoas e me ensinou, gradativamente, lições que eu poderia demorar a vida toda para aprender ou talvez nunca aprendesse. É nisso que penso quando escuto que meus olhos brilham quando conto sobre alguma experiência proporcionada pelo Ving Tsun ou quando escuto um simples: “Isso tem te feito bem”, porque tem me feito melhor do que qualquer um pode vir a imaginar.

No pouco que já aprendi, sei que Ving Tsun é conhecimento compartilhado e não retido, sei que nenhum objeto substitui o ser humano, que a inteligência é a arma mais poderosa com a qual se pode lutar, que o caminho mais eficiente para alcançar seus objetivos é o mais simples, para frente, contínuo, presente e sei que é tudo isso o que me faz feliz. No Ving Tsun, encontrei não só um lar, mas uma nova família.

Obrigada a todos os meus irmãos e irmãs e, em especial, ao meu Sifu.

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