Faz alguns dias que o dia do amigo passou, mas acho que ainda não é tão tarde para escrever sobre isso. Para ser bem sincera, não esperava escrever sobre ser amigo, mas, ironicamente, nesse dia do amigo, entrei no facebook e uma das pessoas que mais demonstra sua amizade por mim apenas escreveu no seu mural que “não ia desejar feliz dia do amigo para ninguém, porque quem é sabe” enquanto recebi uma linda mensagem no celular que não podia ter me deixado mais frustrada pelo que li e que nunca havia sido feito em relação a mim. Se eu não gostei da mensagem? Sinceramente, eu adorei, mas percebi que era uma amizade unilateral, porque, se aquele era o conceito de amizade, então só eu estava sendo amiga.
Confesso que sempre achei um pouco estranho muitas pessoas exporem suas ideias sobre o que acham que é ser amigo, mas a pessoa em si nunca se encaixa nos próprios padrões.
Acho que a minha concepção sobre ser amigo é um pouco diferente, porque, por mais confortável que eu me sinta com meus amigos, sinto-me incomodada, sim, em falar dos meus problemas, mas não me importo em ouvir, gosto de ouvir, gosto de ser procurada não só para conselhos, e sim, principalmente, para desabafos. Não quero receber presente de aniversário, só que estejam comigo nesse dia, porque é o que faço: estou com meus amigos mesmo que seja em uma festa onde eu não goste das pessoas ou não conheça ninguém.
Já ouvi muito que brigo com os meus amigos e, no dia seguinte, estou falando com a pessoa como se nada houvesse ocorrido. Na minha cabeça, não tem sentido continuar chateada com alguém que gosto, não tem sentido perder tempo sem falar quando poderia estar aproveitando a companhia da pessoa ou uma conversa trivial. Isso pra mim é ser amigo: esquecer uma discussão banal por um bem conjunto maior. Ser amigo é pegar o caminho mais longo para casa e passar no posto de venda, porque sua amiga quer que você veja o preço do ingresso do show de uma (quase boy band) banda.
Na minha opinião, ser amigo é estar presente ao máximo, porque, se alguém precisa de mim, se eu preciso de alguém — seja porque briguei com a pessoa, ou com outrem, ou só se quero aproveitar melhor a companhia de alguém mesmo que seja só para ficar calada —, o que quero é estar. Ser amigo é estar com seu amigo. Estar presente, estar ciente, estar aberto.
Ser amigo é ceder, mas, certas vezes, cede-se tanto que não há valor. Ser amigo é escutar quando o outro quer desabafar, chorar ou até mesmo fazer as pazes, é falar mesmo que esteja chateado, porque é falando que tudo se resolve. O problema é que não há nada para se resolver quando tudo é previamente demonstrado e esclarecido.
Nesse dia do amigo, eu percebi que meus melhores amigos não precisam falar que me amam, que sentem saudades, que sou importante por quaisquer motivos, só o que eles fazem é demonstrar, sem precisar falar. Ser amigo é falar menos e demonstrar mais.
Então, se alguém leu esse texto, pergunte a si mesmo se está sendo, de fato, amigo.
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